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Revoada de ideias

Como acender um dragão apagado

Escrito por Didier Lévy

Ilustrado por Fred Benaglia

Traduzido por Julia da Rosa Simões

Se seu dragão está tendo um dia ruim – e mais parece uma lagartixa, há uma criança que sabe como ajudar. Ela compartilha com o leitor estratégias para desentupir as chamas do dragão, que passam por provocar variadas sensações ou sentimentos: riso, cócegas, raiva, ciúme. O garoto também sugere outros planos: amarrar o dragão pelos pés e sacudir bem forte, preparar um bolo e encher de velas para que o fogo volte com o desejo de assoprar, preparar chamas falsas de papel crepom. Nada dá certo.

A partir de então, é hora de aceitar que o dragão, talvez, nunca volte a acender. É hora de viver essa tristeza - apoiado pelas lembranças boas de tudo o que viveram antes. É hora de declarar amor ao dragão, mesmo que daqui para frente ele seja só um dragão apagado, frio e gelado.

O fim de muitas histórias clássicas infantis é o beijo de amor verdadeiro, que acontece entre casais, em um contexto de amor romântico. Aqui, um beijo de amizade, um beijo com jeito de infância (bem babado), um beijo que vem do coração e da decisão de aceitar alguém que está triste ou que muda (mesmo que essa mudança faça a pessoa “apagar” diante do nosso olhar) reacende o dragão.

Criando um personagem mágico e situações divertidas e inusitadas, o livro tem uma entrelinha profunda sobre se sentir triste ou acompanhar a tristeza de alguém, sobre o processo de luto de aceitar mudanças em quem a gente gosta, sobre momentos ruins parecerem eternos, mas serem passageiros, sobre não desistir de um amigo e, principalmente, sobre achar respostas em gestos simples que revelem o amor.

Durante a leitura

Se deixe levar pelo ritmo do texto. Explore sua sonoridade.

Ao longo da leitura, ressalte as palavras que foram destacadas no projeto gráfico. Mude a entonação para ler registros que complementam a história: como os textos que falam sobre a loja de fogões, por exemplo.

Mostre as páginas com calma para que a criança ou o grupo de crianças relacione as ilustrações com o que foi lido.

Mostre que o texto também está escrito com registros com fontes e cores diversas – e que isso também é uma possibilidade de brincar com as palavras e seus sentidos.

A obra oferece material riquíssimo de imagens. Convide as crianças a observar as cenas representadas. Comente situações que aparecem nas cenas. Comente o movimento das ilustrações, as expressões das personagens. Quais sentimentos essas expressões revelam?

Enquanto lê, você pode fazer pausas para ressaltar os pontos que acha importante e para estimular a participação das crianças por meio de perguntas que as levem a refletir sobre os sentimentos mencionados ou representados na obra e sobre as ideias que o menino apresenta para animar o dragão.

Conversem sobre a força dos gestos de amor. Deixe que as crianças comentem sobre situações em que foram ajudadas ou ajudaram algum colega a se sentir melhor.

Cada criança vai ser impactada de forma única pela história narrada porque cada uma delas vai se identificar com personagens distintos e estabelecer pontos de contato da obra com suas vivências. Se a leitura for feita para uma turma de crianças, esse momento de conversa oportuniza que as crianças aprendam a se expressar, interagir e conhecer o ponto de vista de cada colega, fortalecendo o grupo e dando mais segurança para assumirem riscos próprios do processo de aprendizagem.

Depois da leitura

  • Ofereça uma folha grande ou uma cartolina ou um pedaço de papel pardo e estimule a criança ou o grupo de crianças a criar o seu dragão. Sugira que o desenho seja bem colorido – inspirado nas cores vibrantes utilizadas na obra. Quando a gente oferece uma referência de arte, estamos dando a possibilidade da criança ampliar seu repertório criativo e explorar várias possibilidades de ilustração.

  • Peça que a criança invente uma forma de alegrar um amigo que está tendo um dia ruim. Estimule que ela escreva uma frase ou um parágrafo utilizando diferentes cores e brincando com a forma das letras. Se a atividade for feita em grupo, ofereça formas de que as crianças compartilhem suas criações.

  • A partir de sucatas e materiais diverso: garrafa pet, rolinhos de papel higiênico, restos de tecido, botões, lantejoula, papel crepom nas cores de chama, etc – instigue a criança ou o grupo de crianças a montar um dragão tridimensional. Peça que o dragão transmita algum sentimento pelo rosto: pode ser tristeza, alegria, raiva, sono, tédio...Ajude no que for necessário durante o processo de montagem. Em uma turma, a atividade também pode ser feita em grupos. Quando a criação ou as criações estiverem prontas, deixe que as crianças falem sobre os sentimentos dos dragões criados.

  • A amizade de um dragão com um menino é tema da animação "Como treinar seu dragão" - um desenho com indicação etária livre. Vocês podem assistir ao filme juntos e conversar sobre semelhanças e diferenças com o livro. Fazer a análise comparativa de obras é um exercício que amplia o significado das produções envolvidas. Mesmo que as crianças já tenham assistido ao desenho, elas vão gostar de rever. Além disso, nessa proposta, elas vão ver o filme com outros olhos – olhos de quem busca pontos de contato ou de distância com o livro.

Para complementar

Leitura compartilhada, Leitor iniciante, animação, artes, sucata

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