Revoada de ideias
Poeamo-me: poemas de amor e desamor próprio

Escrito e ilustrado por Paula Taitelbaum
Poeamar é um verbo inventado por Paula Taitelbaum, conforme ela conta no posfácio da obra. Seu significado é: o ato de demonstrar amor por meio de poesia. O neologismo só poderia ter sido inventado pela Paula, que é uma autora que demonstra em suas obras um amor imenso pelas palavras. Em Poemar: poemas de amor e desamor próprio, esse amor pelas palavras fica evidente de muitas formas.
Fica evidente nos jogos que são feitos a partir delas, na exploração dos seus sentidos, de suas sonoridades, de seus ritmos, no jeito que frases feitas saem do lugar comum, na forma como as palavras se desenham no papel – jogando com outras palavras que moram dentro delas: como o colo que vive no colorir ou a ave que mora em suave. As palavras ganham novas dimensões também quando traduzem sentimentos tão conhecidos da adolescência.
Leitores adolescentes se engajam em textos com os quais se identificam. Volte ao título do livro e me diga se a gangorra entre amor e desamor próprio não retrata muito bem a adolescência. O título já gera curiosidade e já chega dizendo a que veio quando tira uma frase feita do lugar – afinal de contas, ouvimos falar em amor próprio, mas o desamor próprio chega para nos tirar do que é conhecido. O livro está cheio desses momentos em que os sentidos que conhecemos se reinventam e se alargam. Também está repleto de outros sentimentos que conversam com a adolescência: a busca de si, os labirintos de sensações, os buracos no peito, as paixões, as mágoas, as contradições, as formas de adiar o que deve ser feito, o querer tanto que até sonha o dia que não terá tanto para querer. O transbordar.

Durante a leitura
Explore o título do livro. O que é amor e desamor próprio? Quando a gente se ama? Quando a gente se desama?
Se deixe levar pelo ritmo dos poemas. Explore a sonoridade e os jogos com as palavras.
Explore outras brincadeiras a partir de frases feitas – como, por exemplo, o poema "Era uma vez".
Na obra, há poemas que são visuais – mostre esses poemas. Mostre como eles brincam com a possibilidade de formar palavras novas – a partir de outras palavras.
Mostre as ilustrações e como elas dialogam com os poemas.
Explore as palavras que são desconhecidas pelo leitor. O vocabulário dos poemas contem muito a ser explorado.
Explore os múltiplos significados que existem em poemas de um único verso. Uma das características da poesia é concentrar muito sentido em poucas palavras.
Explore as associações de palavras que são feitas por aproximação de sonoridade e/ou de sentido – como, por exemplo: Se eu acreditasse em SEXTO SENTIDO te mandaria pro QUINTO DOS INFERNOS
Converse sobre os sentimentos que estão na entrelinha dos poemas.
Depois da leitura
Explore a criação de outras definições poéticas sobre a vida – tendo como inspiração o verso: "A vida é faz-de-conta a pagar".
No livro, há um poema no qual o eu lírico diz que “não tô a fim” é a sua frase de efeito. Peça que o adolescente ou o grupo de adolescentes crie um poema a partir de sua frase de efeito.
Estimule a brincadeira com palavras, como a que é feita no poema: "cai na casa caiada nas coxas coitada chucrute no chão".
Proponha a recriação do poema que começa com a frase: "Talvez eu não seja nada além de..."
Proponha a criação de um neologismo e a criação de seu significado nos moldes de um dicionário. Se a atividade for feita em uma turma, você pode criar o dicionário de neologismos da turma.
Estimule a criação de poemas visuais.
Faça aproximações da poesia com as letras de música. Estimule que inventem uma melodia para algum poema.
Você pode sugerir uma escrita secreta/que não precisa ser compartilhada – como a página de um diário – sobre o que desperta o amor próprio e o desamor próprio em cada leitor.
Para complementar
leitor fluente, poesia, criação literária, sentimentos, diário



